Huambo é uma das 21 províncias de Angola, localizada na região central do país. Sua capital está na cidade e município do Huambo.
Etimologia
O topónimo Huambo deriva do nome de Wambo Kalunga, fundador do Reino do Huambo.
História
A província do Huambo é um território habitado por três grupos étnicos bantos (ovimbundos) com poucas diferenças entre si: huambos, bailundos e sambos, com pequenas manchas de ganguelas e quiocos de fraca expressão demográfica. Pouco se sabe sobre o modo como estas populações aqui se fixaram. A História mistura-se com lenda, tornando a separação quase impossível. Existe apenas a certeza que desceram do norte, após um permanecerem algum tempo perto do rio Cuanza.
Migração e formação dos ovimbundos
A Rainha Ana de Sousa Ginga, que na primeira metade do século XVII viveu no centro de Angola, havia sustentado uma luta prolongada aos portugueses, colaborando com os nerlandeses, então senhores de Luanda, por interesse próprio e na medida das suas conveniências. Após a expulsão dos neerlandeses por Salvador Correia, estando Ginga submetida à autoridade de Portugal, o receio de represálias dos portugueses levou a que sambos, huambos e bailundos, que a haviam apoiado, abandonassem os seus territórios, afastando-se para longe da capital. Nesta migração estes povos levaram à sua frente todos quantos encontraram pelo caminho, em particular os ganguelas, assim forçados a transferir-se para as margens do Cubango.
As férteis terras altas do Planalto Central de Angola, também conhecidas como nano, eram tradicionalmente cultivadas pelos povos bantos antes da chegada dos bailundos e huambos. A invasão do início do século XVII, pelos povos imbangalas, levou a uma fusão das duas populações e a subsequente criação dos reinos ovimbundos. Os huambos instalaram-se inicialmente na Caála, onde ainda hoje se encontra a sepultura de Wambu-Kalunga (“Grande-Mar”), seu soberano, ladeada de duas outras, que se julga serem, segundo uns, de dois escravos sacrificados para o servirem no além ou, segundo outros, de duas das suas numerosas mulheres. Segundo a lenda, Wambu era um grande apreciador de carne humana, em especial as tenras crianças, motivando parte do seu povo a abandoná-lo, uns fugindo para a Ganda e outros para o Candumbo. Ao longo do tempo, muitos outros reis passaram por ali, e o nome manteve-se inalterado até à chegada dos portugueses, que o aportuguesaram, passando então a chamar-se Huambo no lugar de Wambo.
Os séculos XVII e XVIII foi marcado pela formação política dos povos que habitaram o território da província de Huambo, com a construção de inúmeras ombalas (aldeia/cidade principal) e aldeias, e a configuração dos principais reinos, o Bailundo e o Huambo…
Reconstrução
A província encontrava-se muito devastada pela guerra em 2002, quando inicio-se a reconstrução das infraestruturas. O grande marco reconstrutor se deu com a reabertura do Caminho de Ferro de Benguela.
O Huambo é limitado pelas províncias de Cuanza Sul, ao norte, Bié, ao leste, Huíla, ao sul e Benguela, ao oeste.
A província está dividida em 11 municípios: Huambo, Bailundo, Ecunha, Caála, Cachiungo, Londuimbale, Longonjo, Mungo, Chicala-Choloanga, Chinjenje e Ucuma.
Clima
Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, no território da província predomina o clima oceânico (Cwb), com pequenas porções territoriais de clima tropical de savana (Aw) nos extremos do norte.
Ecologia, flora e fauna
Domina as faixas nordeste, leste e sul da província a paisagem da ecorregião das “florestas de miombo angolanas”, com flora de savana de folha larga decídua úmida e floresta com domínio de miombo, além de pastagens abertas. No leste, noroeste e parte do nordeste da província predomina o “mosaico de pastagens e florestas montanhosas angolanas”, nos arredores dos subaltiplanos do Congolo e Mombolo, bem como no Planalto da Chicuma, no Planalto Balombo-Ganda, e nas Serras da Sanga e Bimbe, com floresta afromontana, gramíneas e arbustos.
A fauna é bastante diversificada com relevo para animais de grande porte, como o rinoceronte-negro, os panteríneos, como o leão-angolano e a onça-africana, bem como antílopes de grande, médio e pequeno portes, além da lebre-das-savanas e do damão-das-rochas-de-manchas-amarelas. Há uma enorme diversidade de sáurios e répteis, como o crocodilo-do-nilo, habitante de lagos e os rios da região, e as serpentes mamba-negra e víbora-nocturna-bilineada. Diversidade ainda maior há de insectos e aves, como as aves fuinha-de-huambo (Cisticola bailunduensis), beija-flor-das-montanhas (Cinnyris ludovicensis), batis-margarida (Batis margaritae), picanço-de-Perrin (Telophorus viridis viridis), cotovia-de-angola (Mirafra angolensis), fuinha-chocalheira (Cisticola chinianus) e francolim-de-cara-ruiva (Francolinus finschi).
Comércio e serviços
O setor de comércio e serviços do Huambo assenta-se na atividade logística, na medida em que dispõe de uma grande rede de transportes, com destaque ao Caminho de Ferro de Benguela, ao Aeroporto Albano Machado e à suas várias rodovias. No caso das rodovias, na cidade do Alto–Hama, na província do Huambo, há um dos grandes entrocamentos das rodovias transnacionais que fazem parte da Rede Rodoviária Transafricana. Se cruzam no Alto–Hama a Rodovia Transafricana 9 (TAH 9\EN-250) e a Rodovia Transafricana 3 (TAH 3\EN-120).[carece de fontes]
Por ela passa o extenso Caminho de Ferro de Benguela (CFB), vindo do litoral (Lobito) e indo até à fronteira com a República Democrática do Congo. Antes da independência nacional, esta era a via preferida para o escoamento dos minérios e mercadorias vindas do Congo e Zâmbia. Graças a essa ferrovia e às rodovias a província continua a ser um elemento essencial para o desenvolvimento económico, industrial e agropecuário do país.