UÍGE

Capital: Uíge

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Uíge é uma das 21 províncias de Angola, localizada na região norte do país. Sua capital está na cidade e município de Uíge.

Etimologia

O nome da província deriva da localidade do Uíge, onde foi fundado um posto militar pelos portugueses em 1917, que viria a ser a sede da circunscrição do Bembe a partir de 1923 e posteriormente sede do concelho do mesmo nome.

Há várias explicações para o nome Uíge, que comporta também as grafias Uíje (língua portuguesa arcaica) e Wizi (língua congo), onde a principal vertente diz vir de uma expressão da língua congo “wizidi”, que significa “chegada”, em alusão aos primeiros portugueses que se fixaram na região. Outra vertente correlaciona o nome ao rio Uíge.

De 1887 a 1961 a província do Uíge conservou o nome “Congo”.

História

Durante a Idade Média, a província do Uíge foi uma das áreas vitais do reino do Congo, uma entidade nacional dos povos congos localizada a norte e a sul do rio Congo, e também, em determinados períodos, pelos ambundos, localizado mais para o sul. Os monarcas do Reino do Congo viviam na cidade de Mabanza Congo, governando com grande autoridade, por vários séculos, toda a região. O seu reinado foi reforçado pela chegada de padres portugueses que viviam na corte do rei e ensinavam religião, bem como promoviam a alfabetização. A interacção com o domínio português sobre Luanda foi durante um longo período de tempo bastante marginal. A mudança ocorreu quando, no início do século XIX, os portugueses iniciaram a conquista e ocupação do território que actualmente constitui Angola. No início do século XX, o Reino do Congo ainda existia “no papel”, assim como o tribunal de Mabanza Congo, mas tinha perdido qualquer poder efectivo.

Resultados da Conferência de Berlim no Uíge

Antes da Conferência de Berlim o interesse português nas terras do Uíge assentava-se basicamente na exploração das minas de cobre de Mavoio, no Bembe, que iniciou-se em 1857, onde chegou-se a permitir a exportação de um importante quantitativo de minério, antes do seu encerramento devido às dificuldades de transporte para o Ambriz.

Após a Conferência de Berlim Portugal apressou-se para criar o “distrito do Congo”, em ato no dia 31 de maio de 1887, cuja primeira capital foi a cidade de Cabinda Anteriormente os lusitanos já haviam buscado firmar o protetorado do Congo Português, criando o distrito como entidade administrativa.

Evolução administrativa e territorial

Em 1914 o governador colonial José Norton de Matos decide por dar início a reestruturação da vila de Maquela do Zombo para fazê-la capital do distrito do Congo, no intuito de rivalizar com Quinxassa e Brazavile. Maquela do Zombo torna-se capital em 1917,[13] porém a saída de Norton de Matos da função de governador colonial fez o projeto de construção de infraestruturas naquela localidade declinar, mantendo-se precariamente como capital do distrito do Congo até 1946.

No local onde hoje se encontra a cidade do Uíge, foi criado, pela portaria nº 60, de 6 de abril de 1917, um posto militar. Em 1923, o posto passou a sede da circunscrição e, mais tarde, ao de conselho do Bembe. A importância crescente da cultura do café e a subida do seu preço no mercado internacional, provocaram alterações radicais na economia do distrito do Congo, como por exemplo a estruturação da via de escoamento Estrada Uíge-Luanda (atual EN-120).

Em 1919 ocorre a primeira perda territorial do distrito do Congo, com a criação do distrito de Cabinda, no extremo-norte, e; 1922 o distrito do Congo divide-se em dois para dar origem ao distrito do Zaire. Esse quadro permanece até 1930, quando o Congo passa a tutelar a “Intendência-Geral de Zaire e Cabinda”.

Em 1946 o governo colonial decide transferir definitivamente a capital da cidade de Maquela do Zombo para a vila do Uíge, esta última a partir de 1955 passando a denominar-se vila Marechal Carmona.

Em 1954, o distrito do Congo absorve juridicamente a parte sul da Intendência-Geral de Zaire e Cabinda, restando ainda sob sua tutela somente a “Intendência-Geral de Cabinda”. Em 1955 a Intendência-Geral de Cabinda torna-se novamente distrito de Cabinda (atual província de Cabinda), desligando-se da tutela do Congo.

Posteriormente, pelo diploma legislativo ministerial nº 6, de 1 de abril de 1961, foi mudado o nome do distrito do Congo, passando a denominar-se “distrito do Uíge”, e; a partir de terras divididas do distrito do Uíge, o mesmo ato recriou o distrito do Zaire (atual província do Zaire). Em 1972 todos os distritos angolanos tornaram-se províncias.

Geografia

A província faz fronteira a oeste com a província do Zaire, a norte e a leste com a República Democrática do Congo, a sudeste com a província de Malanje, e a sul com as províncias do Cuanza Norte e do Bengo.

Clima

Na província encontram-se dois períodos climáticos bem definidos, sendo um chuvoso, denominado inverno, de outubro a maio e; um seco, denominada verão, de junho a setembro.

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, é predominante na província o clima tropical de savana (Aw/As), com temperaturas variando entre 22ºC e 25ºC.

Economia

A economia da província baseia-se fundamentalmente nos sectores da agricultura e do comércio, havendo uma nascente e efêmera atividade industrial, concentrada nos grandes centros urbanos uiginos.

Agropecuária e extrativismo

O enquadramento orográfico da província e as suas condições ecológicas caracterizam-na de vocação agrícola, pecuária, silvícola e piscícola. O clima quente do Uíge é propício ao cultivo de café, frutas tropicais, mandioca, dendém, amendoim (jinguba), batata doce, feijão, cacau e sisal.

Também está incluída a criação de gado bovino, suíno e caprino, exercida em todo o território, tanto para corte quanto para leite, havendo também relevante número de galináceas para carne e ovos. A actividade piscatória, majoritariamente extrativista, é desenvolvida nas diversas lagoas e rios.

Na exploração florestal, a produção de madeira é baseada no corte de essências rústicas e na transportação de toros dentro e fora da província para serração.

Somente na atividade cafeeira estão registados cerca de 10 mil agricultores familiares, nos municípios de Negage, Dange, Songo, Damba, Mucaba, Pombo e Uíge. O café tinha, em 2011, uma área de 177.000 hectares em para sua destinação, dos quais se estima estarem plantados com café apenas 29.800 hectares.

Indústria e mineração

No setor mineral, a província têm um subsolo muito rico, mas pouco explorado, com destaque para mineração industrial de cobre, cobalto, calcário, dolomite, enxofre, talco e zinco.

As plantas industriais da província concentram-se nas cidades de Negage e Uíge, sendo especializadas na agroindústria de transformação de alimentos, como carnes, ovos, leite e café, havendo também massa salarial na produção de materiais de construção e cerâmicos, bebidas e tabaco.

Comércio e serviços

O comércio formal é exercido por micro e pequenas empresas e por operadores informais, existindo armazéns, minimercados, lojas, cantinas, lanchonetes, boutiques, tabacarias, farmácias, casas de fotografia, agências de telefonia móvel, mercados oficiais, etc.. Normalmente o comércio formal predomina no centro das cidades do Uíge, Maquela do Zombo, Quibele e Negage, enquanto que os outros municípios geralmente são receptores de mercadorias advindas desses quatro.

A atividade informal que lidera a massa financeira do comércio provincial uigino, onde vê-se principalmente a venda ambulante, nas ruas, de porta em porta e nos mercados municipais.

A prática do escambo da produção de café por óleo, sabão, sal, utensílios domésticos, mandioca, feijão e amendoim ainda subsiste. O escambo pode ser feito nos mercados ou diretamente com o produtor.

Em matéria de serviços, é na capital que assenta-se a maioria deles, havendo grande oferta em áreas administrativas e financeiras, ocorrendo também serviços de entretenimento, saúde e educação.

Cultura e lazer

A província do Uíge tem um acervo histórico-cultural rico, assentado nas construções pré e pós coloniais, de onde destacam-se o Fortim de Maquela, o Forte de São José do Encoje, a Fortaleza do Bembe, o Palácio da Administração do Concelho, a Igreja de São José, as figuras rupestres de Quisadi e da Cabala e a Pedra do Tunda.

A província uigina possui uma das mais originais e relevantes tradições culinárias de Angola, tendo como o pratos típicos mais relevantes a quizaca, o micate, o funge de bombó e, particularmente, o catato.

Já nos pontos de interesse natural, a província do Uíge têm como destaque as quedas do Bombo, do Massau e de Camulungo, as lagoas do Feitiço, Luzamba, Mavoio e Sacapete, além do Vale do Loge e dos Morros do Alto Caual.

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