Huíla é uma das 21 províncias de Angola, localizada na região sul do país, sendo a mais rica província da porção meridional angolana. Tem como capital a cidade e município do Lubango.
História
A presença europeia na região começa em 1627, no partir de uma expedição luso-espanhola comandada por Lopo Soares Lasso, que partiu da cidade de Moçâmedes alcançando a Serra da Chela, de onde era possível ver o planalto da Huíla e vasto vale de domínio do soba Calubango, o País de Humbi-Onene.
A rota de exploração básica, entre os séculos XVII e XVIII, seguia os cursos dos rios Giraul, Neves, Caculavar, Calonga, Cunene e Cuunje, partindo de Moçâmedes, passando por Bibala, Planalto da Humpata, Quipungo e Matala, até chegar em Caconda. Assim, a bacia do Giraul e a do Cunene foram as primeiras rotas seguras de exploração, dado a disponibilidade de água. A escolha de Caconda como posto avançado cumpria três objetivos: como rota alternativa mais segura que o norte e o centro angolano, ainda dominado pelos dos poderosos reinos do Dongo-Matamba, Cassange-Jaga, Huambo e Bailundo; controle de uma região menos organizada socio-politicamente em relação ao restante do território angolano e de vales muito férteis, e; a proximidade com a densamente povoada e prosperamente agrícola região centro-planáltica. A rota seguindo o leito principal do rio Cunene só foi explorada após a segunda metade do século XIX.
Construção de fortalezas e missões religiosas
O maior dos marcos de colonização inicial da Huíla se deu com a construção da Fortaleza de Alva Nova, em 1682, após um acordo com os galangues. A fortaleza ficaria sob coordenação de um capitão-mor português
Formação administrativa e econômica
Em 2 de setembro de 1901 foi criado, por desmembramento do distrito de Moçâmedes, o novo distrito da Huíla, com sede no Lubango, sendo esta povoação, pelo mesmo decreto, elevada à categoria de vila, com o nome de Vila de Sá da Bandeira. Na criação, o distrito compunha-se dos territórios da Huíla e do Cunene.
No processo de formação administrativa, a Huíla enfrentou grandes períodos de instabilidade sócio-territorial nas suas duas primeiras décadas. Em 1914, durante a Campanha de Cubango-Cunene, uma extensão da Primeira Guerra Mundial, as tropas alemãs invadiram o sul e sudeste do distrito, massacrando portugueses e nativos, alterando o frágil equilíbrio com os reinos tradicionais. Uma vez expulsos os alemães, as batalhas continuaram, culminando numa sangrenta guerra, levada a cabo por António Pereira de Eça, contra os nhaneca-humbes do vale do Cunene e contra os ovambos, que haviam se rebelado contra o imperialismo lusitano. A guerra tomou contornos de massacre contra os povos nativos, em especial contra os Reinos Confederados Ovambos.
Em 31 de maio de 1923 o Caminho de Ferro de Moçâmedes chega no Lubango, marcando um período de grande virada econômica para o distrito provincial da Huíla, na medida em que poderia se comunicar de maneira mais eficiente com o litoral.
Geografia
Limita-se ao norte com as províncias de Benguela e Huambo, ao leste com as províncias de Bié e Cuando-Cubango, ao sul com a província de Cunene, e ao oeste com a província de Namibe. A Huíla não possui litoral, sendo uma província interior.
Demografia
A população original da área compunha-se de coissãs, dos quais ainda existem pequenos grupos remanescentes. Os coissãs foram marginalizados por povos de pastores ou de agro-pastores de diversas proveniências e que hoje constituem uma variedade de etnias. As etnias agro-pastoras fazem parte do grupo relativamente heterogéneo dos nhaneca-humbes, com destaque para os muílas, que são os mais numerosos e de cujo nome o planalto e a província da Huíla derivam as suas designações. De entre as etnias pastoras, há ainda os cuvales. Dentre os povos migrantes, nas grandes cidades há populações relevantes de ambundos, ovimbundos, congos e ovambos, além de grupos menores miscigenados de angobôeres e luso-angolanos.
A principal língua falada na província é o português, sendo registrado a variante dialeto sulista, um dos quatro que há dentro do português angolano. Já entre as tradicionais a presença maior é da língua nhaneca