CABINDA

Capital: Cabinda

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Cabinda

Cabinda é uma das 21 províncias de Angola, localizada na região norte do país, sendo a mais setentrional e também único exclave da nação. A capital é a cidade e município de Cabinda.

Etimologia

Segundo o historiador e padre Joaquim Martins, o nome “Cabinda” tem origem da junção do termo “Mafuca” com o nome próprio “Binda”, onde a aglutinação da última sílaba da palavra “Mafuca” — que nos antigos reinos de Loango, Cacongo e Angoio-Nagoio era uma espécie de intendente-geral do comércio e dignitário do rei que, em nome deste último, tratava de todas as transações comerciais – junta-se a “Binda”, que era o nome do “Mafuca” naquela época. Este intendente-geral do comércio de nome Binda era, portanto, um importante funcionário público que tratava questões de interesse dos reinos nativos com os portugueses.

Por sua vez o nome próprio “Binda” deriva do termo mbinda, nome popular do muntual – um dos antílopes mais abundantes na província cabindina.

Geografia

O território é um exclave angolano, sendo limitado ao norte pela República do Congo, a leste e ao sul pela República Democrática do Congo e a oeste pelo Oceano Atlântico.

Clima

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger predomina em toda a província o clima tropical de savana (Aw/As), com precipitações anuais em torno de 800 mm, com alta pluviosidade ao longo do ano. A temperatura média anual varia entre os 25 e os 30º Celsius.

Demografia

A população de Cabinda pertence na sua quase totalidade aos povos bantos, majoritariamente grupo dos congos e subgrupo dos ibindas. Os ibindas estão distribuídos em oito tribos/clãs: bauóio, bacuacongo, balinge, baluango, basundi, baiombe, bavili e bacochi. Presença relevante de outras frações étnicas ou de nacionalidades distintas há basicamente na capital provincial, com o restante do território etnicamente mais homogêneo.

A principal língua falada é o português, com o principal idioma tradicional o ibinda, considerado um dialecto da língua congo.

Ecologia, flora e fauna

Toda a faixa leste e litorânea, com frações no extermo norte da província, é dominada pela ecorregião das “savanas e florestas de escarpa angolanas”, com flora de árvores altas rodeadas de ervas altas, com áreas de mangais e pântanos nas margens dos rios, especialmente na Laguna de Massabi, no Lago Lumbo e no Pântano de Lândana, com manchas de floresta nublada nas partes mais montanhosas e bosques secos de pastagens arborizadas. Já no centro, oeste e norte da província predomina a ecorregião das “florestas equatoriais atlânticas”, região de florestas húmidas de folhas largas, com especial destaque para a “floresta de Maiombe”.

Dentre as espécies da fauna da província cabindina destacam-se o morcego-frugívoro-menor-angolano, o elefante-da-floresta, o sapo-nariz-de-Perret, a rã-de-garras-de-André, o papagaio-do-congo, o muntual, o gorila-ocidental-das-terras-baixas e o chimpanzé-central.

Até ao fim da era colonial, Cabinda produzia contingentes importantes de madeira e café, e mais reduzidos de cacau e óleo de palma. Houve inclusive um início de turismo no litoral. Em consequência dos conflitos verificados entre 1974 e 2006, estas actividades económicas reduziram-se muito, apresentando certa recuperação a partir de 2010.

Agropecuária e extrativismo

A agricultura provincial tende a ser de base de subsistência, ou seja, sem exportação de excedentes, concentrada na principalmente nas culturas de café, cacau, amendoim, banana, mandioca, batata, feijão e milho.

Outras atividades importantes são os rebanhos bovinos (para leite e corte), a suinocultura, a criação de galináceos (carne e ovos), a captura de mariscos e a pesca fluvial e marítima; esta última serve para a subsistência e também para a venda de excedentes ao Congo-Quinxassa e ao restante de Angola.[carece de fontes]

Indústria, petróleo e mineração

No setor industrial observa-se a existência de muitas plantas agroindustriais, para processamento de alimentos, óleos culinários, carnes e leite, além da produção de derivados. Outra categoria industrial importante é a de extração madeireira, concentrada no norte da província de Cabinda.

Na província está em implantação o Polo Industrial do Fútila (PIF), na zona norte da capital provincial. Prevê-se no PIF a instalação de unidades fabris de produtos químicos, plantas agroindustriais, de materiais de apoio à indústria petrolífera e de construção civil.[48] Em 2025 a Zona Industrial de Fútila e Tando-Zinze ganhou sua mais importante e vital infraestrutura para a autonomia econômica e energética de Angola, a Refinaria de Cabinda, marco da transformação econômica e industrial provincial.

A atividade industrial de maior relevo na província é a de extração e armazenamento de petróleos e outros hidrocarbonetos. Em 2010 o crude extraído em Cabinda representava cerca de 70% de todo o petróleo exportado por Angola. Além do petróleo, a mineração industrial está concentrada também na extração de fosfato e de argila, registrada nas minas de Cacáta, Mongo Tando, Chibuete, Ueca, Chivovo e Cambota. O centro de operações está na vila de Lucula Zenze. Há ainda reservas de manganês, titânio, burgau, cal, potássio, ouro e urânio.

Especificamente em relação à manufatura do bordão, vinculada à cultura local, esta é uma fibra vegetal tradicional africana fabricada a partir das folhas das ráfias, empregada principalmente para confeccionar cestos, esteiras, roupas, sacos e tecidos diversos (para roupas e tecidos, é mais conhecido somente como ráfia ou pano lubongo). Em terras cabindinas o bordão é feito das subespécies Raphia matombe e Raphia textilis (mais utilizada).

Comércio e serviços

O comércio em Cabinda é de bases locais, servindo basicamente ao atendimento da população no suprimento de alimentos e itens domésticos básicos; o principal centro atacadista é a capital provincial.

No setor de serviços o destaque está nas atividades relacionadas à logística e transporte, geradoras de grandes divisas e massa salarial[carece de fontes] Isso se explica observando a geografia da província, que é um exclave, dependendo fortemente de seus portos, no Complexo Portuário de Cabinda, para transporte de cargas pesadas e vitais para o restante de Angola.

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